A "Rainha dos Campos", assim como outras culturas agrícolas, não é imune a pragas e doenças. Para escolher métodos eficazes e organizar o controle de pragas, é importante saber quais doenças e insetos podem atacar o milho.
Doenças do milho
A infecção e o desenvolvimento de várias doenças do milho têm diversas causas:
- Sementes de baixa qualidade;
- pouco conhecimento e experiência no cultivo de plantas;
- Falta de prevenção e controle inadequado de fontes de doenças e pragas.
Todas as ameaças devem ser eliminadas numa fase inicial, caso contrário as chances de salvar sequer metade da colheita são mínimas.
Diplodíase
A doença é causada pelo fungo Diplodia zeae Lev. Ela afeta a planta inteira. Uma camada branca, semelhante a algodão, aparece na parte aérea do milho. Esses micélios frequentemente cobrem as folhas internas da espiga.
- ✓ A presença de muco de oliveira no caule e nas folhas indica cladosporíase, e não outras doenças fúngicas.
- ✓ Manchas pretas nos grãos e talos das espigas são características exclusivas da diplodia.
Com essa doença, os grãos ficam quebradiços, adquirem uma coloração marrom clara e predominam manchas pretas neles e nas hastes das espigas.
Quando a doença está avançada, os caules das plantas tornam-se quebradiços e racham. Manchas castanhas são visíveis nas cavidades das folhas, que, em tempo úmido, exsudam um muco de cor verde-oliva contendo esporos de fungos.
A doença fúngica se espalha em clima quente e úmido, portanto, esse período ocorre no final da fase vegetativa do desenvolvimento da espiga – no final de agosto e início de setembro.
A principal fonte de infecção para essa doença fúngica são as sementes. Quando plantadas, a maioria delas apodrece no solo e, nas poucas plântulas que emergem, o fungo amadurece e se dissemina ativamente. O milho afetado é impróprio para armazenamento e consumo.
Os métodos de combate à diplodia resumem-se às seguintes medidas:
- Selecione e utilize sementes saudáveis.
- Antes da semeadura, trate o material com soluções fungicidas.
- Aplique os fertilizantes de primavera de acordo com o cronograma.
- Respeite os prazos da colheita do milho e seque as espigas até atingirem um teor de umidade de 16%.
- Após a colheita, limpe a área de quaisquer resíduos de milho restantes e are o solo.
- Pratique a rotação de culturas.
mancha foliar por Helminthosporium
O agente causador é o fungo Bipolaris turcica Shoem. A doença se dissemina a partir das folhas inferiores das plantas de milho, eventualmente infectando toda a planta. As folhas secam e, se a raiz for infectada, o que é menos comum, toda a planta murcha.
A doença torna-se ativa em julho e agosto. Manchas marrons com bordas escuras aparecem no milho e, à medida que secam, o centro da mancha clareia.
À medida que a doença progride, as manchas se unem, cobrindo toda a superfície da folha. A origem da doença são os restos de plantas após a colheita.
As medidas preventivas são as mesmas que para todas as doenças fúngicas:
- rotação de culturas;
- qualidade das sementes;
- fertilização com fertilizantes fosfatados e potássicos;
- cumprimento das datas de semeadura;
- Aragem profunda da terra no outono, após a colheita.
Cladosporiose
A doença é causada por um fungo do gênero Cladosporium Link. É comumente conhecida como "podridão da oliveira" devido à cor do seu micélio.
A infecção afeta mais frequentemente a parte superior das espigas. A doença é causada por material de plantio contaminado. O fungo é ativo em temperaturas acima de 12°C.
Os métodos de controle incluem a queima dos restos da planta de milho, o arado profundo e uma abordagem responsável na seleção e plantio de sementes.
Murchar
O agente causador, a bactéria *Bactéria stewarti*, ataca o sistema vascular da planta, destruindo o tecido parenquimático. A bactéria se espalha pelos vasos, obstruindo-os com muco e envenenando-os com toxinas. Ela pode penetrar nas espigas e no tecido das sementes, causando enrugamento. Tanto a espiga inteira quanto partes dela são suscetíveis à infecção. O milho doce é o mais suscetível à murcha.
Se aparecerem listras amarelas nas folhas do milho, isso é um sinal claro de murcha.
Caso seja detectada murcha em plantas jovens de milho, antes da emergência dos grãos, estas devem ser ceifadas e utilizadas para silagem. As plantas restantes devem ser queimadas e o solo arado. Deve-se praticar a rotação de culturas e utilizar apenas sementes sadias.
Carvão da espiga de milho
A doença é causada pelo fungo Ustiliago tritici, que se espalha em climas quentes. É impossível não notar o mofo preto nas espigas e panículas. O fungo as destrói, embora os grãos maduros restantes possam ser indistinguíveis dos grãos saudáveis.
Ao ser tocado, o mofo faz com que um pó preto se desprenda, espalhando esporos de fungos. Ele é parcialmente removido pela chuva e irrigação. Quando infectado, o milho fica arbustivo, atrofiado e a espiga não amadurece, ficando preta e seca.
A doença é incurável; as plantas são destruídas por meio de queimadas ou enterro a uma profundidade superior a 0,5 m. O local de cultivo do milho no próximo ano deverá ser alterado.
Fumo na bexiga
O agente causador é o fungo Ustilago zeae. A ferrugem vesiculosa afeta todas as partes aéreas da planta. Um mofo rosa ou verde aparece na planta, crescendo com o tempo, aumentando de tamanho e tornando-se acinzentado. À medida que as aréolas amadurecem, elas se rompem e os esporos se espalham pela área, infectando plantações cada vez maiores.
Esse fungo prospera em climas secos e quentes, portanto, as culturas semeadas tardiamente são mais suscetíveis à doença. A produtividade do milho pode ser reduzida em até 50% quando infectada com carvão.
Para prevenção, as sementes são tratadas com permanganato de potássio ou preparações especiais. Por exemplo, o "Ditox" possui amplo espectro de ação e não é removido pela irrigação ou chuva durante a primeira hora após a aplicação. A aplicação de fertilizantes complexos também é essencial para a nutrição dessa cultura.
Escolha variedades de milho e seus híbridos que possuam forte imunidade a doenças e pratique a rotação de culturas.
Fusarium
A doença é causada pelo fungo Fusarium, que se desenvolve no milho em qualquer fase de crescimento. É identificada visualmente pela presença de lesões inchadas e irregulares no caule da planta, sob as quais o fungo se desenvolve.
Quando as sementes infectadas são plantadas, ficam cobertas por uma camada de placa branco-rosada, resultando em baixa germinação, e o milho que emerge é fraco e de crescimento lento. A podridão do caule e da raiz começa quando as espigas de milho atingem o estágio leitoso. As folhas da planta secam e as espigas gradualmente escurecem.
O Fusarium é ativo em climas frios com alta umidade ou em condições de seca, com temperaturas em torno de 30°C.
Remova as plantas doentes o mais rápido possível, arrancando-as pela raiz e queimando-as. O preparo do solo no outono e o tratamento das sementes antes do plantio são essenciais.
Podridão do caule
Uma doença fúngica que faz com que as folhas do milho fiquem verde-acinzentadas. À medida que o fungo progride, a planta fica coberta por uma camada rosada. Sob sua influência, as folhas secam e caem, e o caule apodrece, tornando-se mole e quebradiço.
O fungo prospera em climas quentes e secos. Ele se desenvolve melhor em condições de irrigação inadequada e plantios densos. Persiste no tecido vegetal do milho mesmo após a colheita das espigas.
As medidas preventivas incluem seguir as técnicas e o momento de plantio corretos e tratar as sementes com soluções fungicidas. Após a colheita, a área deve ser limpa dos restos de milho e revolvida.
pragas do milho
Além das doenças fúngicas e bacterianas, a alta produtividade do milho é ameaçada por diversas pragas. Estas danificam a parte aérea da planta e seu sistema radicular. Outro perigo é a disseminação de doenças fúngicas por essas pragas. Portanto, esse problema exige soluções urgentes e eficazes.
pulgão da raiz
Ela se propaga em climas quentes e secos. É um inseto muito pequeno, de cor branca translúcida. Tolera bem as baixas temperaturas do inverno.
Quando o milho é atacado por pulgões da raiz, seu desenvolvimento é prejudicado e as folhas amarelam e secam. Os pulgões da raiz são vetores de doenças fúngicas. Portanto, se forem detectados, as plantas devem ser tratadas com fungicidas.
Se houver grande infestação de pragas, a doença fúngica está ativa. Recomenda-se destruir o milho e, em seguida, cultivar o solo.
O controle de ervas daninhas é uma medida importante no controle do pulgão-da-raiz. Utilize apenas sementes tratadas com inseticida para o plantio. Entre elas, estão Aktara, Mospilan, Dantop e outras.
Verme aramado
As larvas do verme-arame se assemelham a vermes marrom-alaranjados, brilhantes e lisos. Elas vivem no solo, penetrando na planta e se alimentando de sua seiva. O milho seca devido à falta de nutrientes. Os insetos se tornam ativos durante a seca.
O verme-arame prefere solos úmidos e ácidos com densos arbustos de trigo-da-pradaria e bardana.
Para combater essa praga, utiliza-se um método de atração. Cascas de batata, palha e feno são colocados em pequenos orifícios, que são cobertos com uma tábua. Assim que os vermes-arame se acumulam na armadilha, esta é recolhida e queimada. Esse procedimento é repetido diversas vezes.
Ao cavar, as larvas vêm à superfície do solo, onde morrem com a primeira geada. A rotação de culturas fará com que, quando o milho for substituído por plantas que os vermes-arame não apreciam (mostarda, trigo sarraceno, leguminosas, etc.), a maioria dos vermes-arame morra de fome.
Se essas medidas não conseguirem erradicar a praga, recorre-se a produtos químicos. Estes devem ser utilizados estritamente de acordo com as instruções, pois muitos desses produtos são tóxicos e perigosos para os seres humanos e para o meio ambiente.
As medidas preventivas incluem a remoção de ervas daninhas, a irrigação do milho, o tratamento das sementes e a aplicação de fertilizantes para estimular o crescimento das plantas e reduzir a acidez do solo.
Mariposa do caule
Não é a mariposa adulta que representa uma ameaça para a planta, mas sim sua lagarta, que é amarelo-esverdeada e atinge um comprimento de 25 mm. Ela aparece em clima seco e com altas temperaturas.
As lagartas destroem as folhas jovens e, em seguida, danificam as espigas e os pistilos, resultando em crescimento mais lento e redução da produção. Essas lagartas são coletadas manualmente ou o milho é tratado com soluções especiais (Decis, Stefesin). Esse tratamento mata os insetos, mas as substâncias nocivas não se acumulam dentro da planta.
A dificuldade no controle da broca-do-colmo reside no fato de as lagartas viverem nas espigas de milho e dentro dos colmos. Portanto, diversos produtos são frequentemente utilizados em combinação, como Actellic 50EC e Karate Zeon 050CS. Os insetos morrem por contato com o inseticida e pela inalação de seus vapores.
Se um tratamento não for suficiente e a presença de lagartas tiver apenas diminuído, recomenda-se realizar outro procedimento.
Mosca sueca
As larvas da mosca-do-milho sueca são perigosas para o milho. São insetos vermiformes, de cor branca ou amarela, com até 0,5 cm de comprimento. Toleram bem o clima úmido e frio. Alimentam-se da planta durante a germinação.
As folhas perfuradas ficam verde-escuras enquanto a planta tenta se curar, dedicando toda a sua energia ao reparo do dano. As gerações de verão se alimentam do tecido das espigas leitosas, causando danos irreparáveis à lavoura. Esses danos afetam o desenvolvimento do milho e reduzem a produtividade em 40 a 50%.
Para prevenir ataques da mosca sueca, recomenda-se:
- tratamento de sementes antes do plantio;
- Nos brotos iniciais, tratamento com os preparados "Cyperon" e "Sumi-alpha";
- Aplicação de fertilizantes de primavera para estimular o crescimento ativo do milho;
- afrouxando, regando.
A maioria das doenças fúngicas do milho são intratáveis e as pragas, além de causarem danos, disseminam esporos perigosos. Portanto, medidas preventivas são fundamentais para o cultivo e para a obtenção de colheitas abundantes e saudáveis de milho. O conhecimento sobre os cuidados com as plantas e o preparo do solo antes do plantio e após a colheita não deve ser negligenciado.












