O amora-silvestre é um arbusto ornamental e frutífero, apreciado por suas belas flores, frutos deliciosos e facilidade de cultivo. Para garantir plantas saudáveis e robustas, é importante escolher o método de propagação correto. Existem diversos métodos eficazes, cada um com seus próprios benefícios e adequado a diferentes finalidades.

Características da propagação de culturas
A propagação da amora-silvestre possui características únicas: a planta não requer polinização cruzada. Ela se caracteriza pela apomixia — a formação de sementes sem fertilização. Esse fenômeno é especialmente importante no cultivo da espécie, pois permite a produção de descendentes com características varietais idênticas.
Método de propagação generativa – por sementes
A propagação por sementes (ou generativa) é um dos métodos mais importantes para a obtenção de novas plantas, especialmente no desenvolvimento de variedades ou no cultivo de culturas em escala industrial.
Este método permite manter a viabilidade da planta e, com a preparação e os cuidados adequados, cultivar exemplares saudáveis com boas características.
Preparação do material de plantio
Para obter mudas de alta qualidade, é importante coletar e preparar as sementes corretamente. Siga estas recomendações:
- Recolha o material de plantio de frutos completamente maduros. Sementes verdes têm dificuldade em germinar ou podem não germinar de todo.
- Separe as sementes da polpa manualmente ou mecanicamente (para grandes quantidades). Em seguida, enxágue-as em água limpa.
- Seque à sombra em local bem ventilado. Não deixe secar em excesso: as sementes devem permanecer viáveis.
- Selecione apenas exemplares inteiros e com peso total, sem sinais de danos, apodrecimento ou mofo.
Estratificação e outros trabalhos preparatórios
Muitas plantas, especialmente árvores e arbustos, requerem preparação prévia das sementes. A etapa mais importante é a estratificação, que consiste em manter as sementes em um ambiente úmido e a baixa temperatura (geralmente de 0 a 5 °C) por 1 a 4 meses (dependendo da espécie da planta).
As principais características da estratificação:
- Realizar em uma mistura de turfa e areia (1:1), musgo ou simplesmente em gaze úmida;
- Coloque os recipientes com as sementes na geladeira ou na adega;
- Verifique a umidade regularmente e remova os espécimes mofados.
Outras etapas importantes:
- Escarificação – Danos mecânicos à casca de sementes de culturas com sementes duras (por exemplo, imersão em água quente ou lixamento da casca). Utilizado para acelerar a germinação de sementes de difícil germinação.
- Deixar de molho antes de semear. Mergulhe o material de plantio em água morna por 12 a 24 horas. Você pode usar estimulantes de crescimento (Epin, Zircon, humatos).
Semeadura e cuidados com as mudas
Essas medidas desempenham um papel crucial no desenvolvimento bem-sucedido das mudas. Comece a semear:
- Utilize um substrato previamente preparado, solto, leve e nutritivo. A profundidade de plantio depende do tamanho da semente: normalmente de 1 a 2 cm.
- Umedeça os recipientes ou canteiros e cubra com filme plástico ou vidro até que as mudas germinem. A temperatura ideal para a germinação é de 20 a 25 °C.
Forneça os cuidados adequados às mudas:
- Assim que as mudas aparecerem, retire a tampa e coloque os recipientes em um local bem iluminado.
- Regue com cuidado à medida que a camada superficial do solo seca. Evite regar em excesso.
- Comece a fertilizar a partir do estágio de duas folhas verdadeiras, utilizando soluções diluídas de fertilizantes complexos.
- O transplante é feito quando as mudas têm 2 a 3 folhas verdadeiras. Isso permite que as plantas desenvolvam melhor seu sistema radicular.
- O processo de aclimatação deve ser realizado de 1 a 2 semanas antes do plantio em campo aberto: reduza gradualmente a temperatura e aumente o tempo de permanência ao ar livre.
Métodos vegetativos
Existem diversos métodos vegetativos para a propagação da amora-silvestre, permitindo obter plantas que conservam integralmente as características varietais da planta-mãe. Esses métodos são especialmente convenientes para jardineiros que desejam aumentar rapidamente o número de mudas sem precisar esperar a germinação e a adaptação das mesmas.
Estacas
Propague a arônia por meio de estacas verdes, utilizando brotos de um ano com 12 a 15 cm de comprimento. Este método produz mudas fortes que retêm completamente as características varietais da planta-mãe.
Requisitos básicos:
- Corte as pontas dos brotos de arbustos bem desenvolvidos. Remova as folhas inferiores das estacas preparadas, deixando apenas os dois pares superiores. Certifique-se de tratar as estacas inferiores com um estimulante de enraizamento, como Kornevin ou Fiton, e em seguida coloque-as imediatamente em um recipiente com água.
- Para o enraizamento, prepare uma estufa ou vasos profundos com boa drenagem. Coloque uma camada de 30 a 40 cm de pedrinhas no fundo, seguida por uma camada de 25 cm de solo leve e rico em húmus, e finalize com 4 a 5 cm de areia.
- Plante as estacas em um ângulo, regue-as cuidadosamente com um regador raso e cubra-as com filme plástico. Deixe 15-20 cm de espaço entre o filme e as estacas.
- Para garantir o enraizamento bem-sucedido das estacas, mantenha a umidade do ar elevada (até 95%).
As primeiras raízes aparecerão em 20 a 25 dias. Até lá, mantenha a temperatura em no máximo 25 °C. Temperaturas acima de 30 °C podem causar superaquecimento, portanto, abra a tampa periodicamente para ventilação ou utilize as aberturas de ventilação.
Você pode deixar as mudas enraizadas no canteiro até a primavera. Para garantir que sobrevivam ao inverno, cubra o canteiro com turfa e lascas de madeira. No outono, regue as mudas para repor a umidade e remover as ervas daninhas. Transplante as mudas para o local definitivo na primavera seguinte.
Brotos etiolados para propagação
Para acelerar a formação de raízes durante a propagação vegetativa da amora-silvestre, brotos etiolados — aqueles cultivados no escuro — são frequentemente utilizados. Esse procedimento promove o desenvolvimento ativo das raízes, inibindo a síntese de clorofila e alterando a estrutura do tecido.
Regras básicas:
- Plante as plantas-mãe em uma única fileira, com espaçamento de 30 a 50 cm entre elas. No ano seguinte, durante o período de dormência — início da primavera ou final do outono — corte os brotos rente ao solo. Em seguida, cubra a área com plástico preto, criando condições para que os brotos cresçam no escuro.
As plantas devem ser mantidas em local coberto por 4 a 6 semanas, até que os novos brotos atinjam uma altura de cerca de 10 cm. - Para evitar o superaquecimento e garantir a ventilação, fixe a película a uma estrutura arqueada, como uma de arame. Equipe este túnel coberto com tubos de ventilação de até 5 cm de diâmetro ou insira varas de bambu em seu interior.
- Assim que os brotos sob a película atingirem a altura desejada, faça fendas triangulares no lado norte para criar "janelas". Isso permite a entrada de luz limitada, estimula a produção de clorofila e promove o esverdeamento gradual das pontas dos brotos.
É importante que a luz solar direta não incida diretamente sobre os brotos, pois isso pode causar queimaduras.
Camadas horizontais ou arqueadas
Comece a propagar a amora-silvestre por alporquia na primavera ou no início do verão – isso dá às plantas jovens tempo suficiente para criar raízes e se desenvolver antes da chegada do tempo frio.
Se você precisar apenas de um ou dois arbustos, use o método de camadas arqueadas:
- Dobre 1-2 brotos fortes com um a dois anos de idade, retirados do mato.
- Coloque-a no chão em forma de arco e polvilhe levemente com terra nutritiva onde ela tocar o solo.
- Para evitar que o broto se levante, prenda-o com um alfinete ou arame.
Se você precisar de um grande número de mudas de uma só vez, use o método de alporquia horizontal:
- Primeiro, afofe a terra na base da planta e faça um sulco.
- Plante várias mudas na horizontal, fixe-as em diversos pontos e cubra com uma camada de solo fértil.
Com esse método de enraizamento, cada nó com uma gema pode produzir um broto independente com raízes, o que aumenta significativamente o rendimento do material de plantio.
Quando as estacas produzirem brotos com 10 a 15 cm de altura, amontoe terra ao redor delas para estimular a formação de raízes. No outono, as mudas estarão suficientemente desenvolvidas, mas o ideal é transplantá-las para o local definitivo na primavera seguinte, depois que estiverem fortalecidas e tiverem tolerado o transplante sem problemas.
Dividindo o arbusto
Se precisar replantar uma planta de amora-silvestre de 6 a 7 anos, você pode fazê-lo dividindo o arbusto. No entanto, é importante observar que o replantio de plantas com mais de 7 a 8 anos não é recomendado, pois esses arbustos têm dificuldade para se estabelecer em um novo local.
Regras importantes:
- Realize o trabalho no início da primavera, antes que a seiva comece a fluir e os botões comecem a se abrir, ou no outono – no máximo 25 a 30 dias antes da primeira geada forte.
- Desenterre o arbusto com cuidado, sacuda bem a terra das raízes e comece a dividir o rizoma. Se necessário, use uma ferramenta afiada, como uma tesoura de poda ou um machado.
- Remova os ramos velhos e danificados, bem como as raízes secas, de cada divisão. Deixe 2 a 3 brotos saudáveis e raízes bem desenvolvidas em cada parte, podando-os se necessário.
- Plante as mudas prontas em covas previamente preparadas com solo fértil, regue abundantemente e, se necessário, cubra com cobertura morta para reter a umidade.
brotos de raiz
Os arbustos de amora-silvestre em crescimento ativo eventualmente produzem um número suficiente de brotos radiculares, que podem ser usados com sucesso para propagação. Com a abordagem correta, esse método permite obter uma muda totalmente desenvolvida com o mínimo de esforço.
Para propagação, selecione brotos que tenham surgido a alguma distância da planta-mãe. Os espécimes que já começaram a ramificar são os melhores, pois geralmente possuem um sistema radicular mais desenvolvido, o que facilita o rápido estabelecimento.
Como propagar a amora-silvestre por meio de estacas de raiz:
- Desenterre cuidadosamente o broto do ano passado, com pelo menos 0,5 cm de espessura e cerca de 10 cm de comprimento, e ele deverá ter raízes bem desenvolvidas.
- Prepare os buracos para o plantio e plante a muda verticalmente a uma profundidade de 5 a 7 cm em solo úmido.
Após o plantio, regue o solo regularmente para promover o enraizamento.
Propagação por enxertia
As mudas de sorveira, plantas tipicamente bienais encontradas em parques, são frequentemente usadas como porta-enxerto para a propagação da amora-silvestre. Após a chuva, essas mudas são facilmente arrancadas ou retiradas do solo.
Você também pode cultivá-las você mesmo semeando sorveira no outono: na primavera, os brotos vigorosos permitirão que você use as plantas jovens como porta-enxertos no segundo ano.
Utilizar mudas de amora-silvestre como porta-enxerto acarreta o risco de confundir os brotos da variedade enxertada com rebentos radiculares, o que pode levar à perda das características varietais. Além do sorveira, mudas de dois anos de macieira, espinheiro-alvar ou cotoneaster também são adequadas como porta-enxertos.
Características do enxerto e época da enxertia:
- Para obter o enxerto, utilize estacas com gemas vegetativas – elas têm um formato mais alongado do que as gemas florais.
- Realize esta atividade na primavera, quando o fluxo de seiva se inicia.
O procedimento para realizar a vacinação:
- Desenterre o enxerto e limpe-o completamente da terra.
- Corte o porta-enxerto horizontalmente, a 10-15 cm do colo da raiz.
- Faça um corte no porta-enxerto usando uma faca limpa e desinfetada, com no máximo 3 cm de profundidade.
- Corte a estaca do enxerto em um ângulo a partir de cima e, a partir de baixo, faça uma cunha inclinada de dois lados com até 4 cm de comprimento, de modo que um lado da cunha fique sob a gema e o outro no lado oposto.
- Insira o enxerto na fenda do porta-enxerto de forma que a cunha fique firmemente presa e a parte superior do enxerto se projete acima da fenda.
- Aperte delicadamente o local do enxerto com os dedos e amarre-o com uma corda ou fita macia, porém resistente.
- Cubra a parte superior do enxerto com piche para jardim para protegê-la do ressecamento e da infecção.
- Plante o porta-enxerto em uma caixa preparada com areia e turfa, deixando o local da enxertia acima da superfície do solo.
- Coloque os recipientes em uma estufa fria ou canteiro aquecido, aumentando gradualmente a temperatura para garantir um melhor estabelecimento do enxerto.
- Quando o calo aparecer na borda do enxerto, remova o cordão ou a película.
- Após a formação de um bom sistema radicular, plante a irga no porta-enxerto em solo aberto.
A propagação do irgi por enxertia é realizada utilizando diversos métodos, cada um adequado a condições e objetivos específicos:
- Cópula. Os diâmetros do porta-enxerto e do enxerto devem ser iguais e maiores que 1 cm. Faça os cortes em ângulo para garantir um encaixe firme e preciso. Se o diâmetro for menor que 1 cm, os cortes podem se deslocar, dificultando a fixação e a amarração.
- Em desenvolvimento. Enxerte gemas individuais (olhos) de amora-silvestre nos ramos de arbustos ou árvores jovens na primavera ou no verão. Podem ser feitas de uma a quatro enxertias em um único ramo.
- Enxerto de fenda palatina. Insira as estacas com as pontas afiadas na fenda do porta-enxerto, garantindo um contato firme. Este método não é recomendado no inverno.
- Enxertia "atrás da casca". Coloque as estacas com 5 a 9 gemas sob a casca descascada do porta-enxerto, com até 4 cm de diâmetro. A casca deve se separar facilmente da madeira. Este método não é adequado para árvores com frutos de caroço.
- Enxerto "em uma incisão lateral". Realize a enxertia a qualquer momento em ramos com até 2-2,5 cm de espessura (preferencialmente). Insira uma cunha bem cortada do enxerto na incisão lateral do porta-enxerto. Amarre o local da enxertia e verifique o enraizamento após 2 semanas.
- Enxerto em ponte. Um método adequado para salvar uma planta de amora-silvestre com uma lesão circular no tronco. Fixe as estacas em ambos os lados da lesão, certificando-se de que estejam orientadas corretamente — com as raízes voltadas para baixo. Prepare as estacas no outono e guarde-as em um local fresco e escuro, polvilhando as extremidades com areia úmida ou serragem.
- Ablação (reaproximação). Um método pouco utilizado para aumentar visualmente a densidade da copa. Corte os 5 cm superiores da madeira do enxerto e do porta-enxerto. Una os cortes e fixe-os firmemente.
Dicas úteis
Antes de enxertar, selecione cuidadosamente o porta-enxerto e o enxerto — a compatibilidade entre eles determina a sobrevivência e a saúde da planta. Siga também estas outras recomendações:
- Utilize apenas instrumentos afiados e limpos para minimizar o risco de infecção.
- Realize a enxertia durante o período de fluxo ativo de seiva – na primavera ou início do verão, quando a planta enraíza melhor.
- Para acelerar o enraizamento de estacas verdes, utilize estimulantes de formação de raízes (por exemplo, Kornevin ou Fiton).
- Ao enraizar estacas, proporcione alta umidade e temperaturas moderadas na estufa ou canteiro aquecido.
- Ao propagar por meio de brotos radiculares, escolha ramos que já tenham começado a ramificar – essas mudas criarão raízes mais rapidamente.
- Após a enxertia, inspecione as plantas regularmente e remova quaisquer brotos do porta-enxerto que surgirem abaixo do local da enxertia para evitar o enfraquecimento do enxerto.
- Ao utilizar coberturas de filme plástico (por exemplo, durante a etiolação), certifique-se de fornecer ventilação e proteção contra o superaquecimento.
- O ideal é dividir o arbusto na primavera e no outono – isso garantirá a rápida renovação da planta e a produção de mudas saudáveis.
A propagação da amora-silvestre pode ser realizada com sucesso de diversas maneiras, cada uma com suas próprias vantagens. Estacas permitem a produção rápida de inúmeras plantas novas, preservando as características da variedade; a alporquia garante altas taxas de sobrevivência; rebentos radiculares oferecem facilidade e propagação natural; e a propagação por sementes permite a preservação da diversidade genética.



























