A pasteurelose, também conhecida como cólera aviária, é uma doença infecciosa que pode dizimar rapidamente um plantel inteiro. Ela infecta todos os membros da família das aves, incluindo as galinhas domésticas.

Características da pasteurelose em galinhas
Os patógenos são bactérias patogênicas — Pasteurella haemolytica e P. multicidum. As aves infectadas com as bactérias são imediatamente abatidas e o galinheiro é desinfetado. Uma única galinha infectada pode matar rapidamente 75% do plantel.
O agente causador da doença foi isolado e cultivado em 1880 por L. Pasteur. A bactéria foi denominada Pasteurella em sua homenagem.
Todos os tipos de galinhas — tanto de corte quanto de postura — são suscetíveis à doença, mas as aves jovens são especialmente vulneráveis. A pasteurelose é mais comum em países com climas temperados e quentes, e menos comum no norte. A cólera aviária ocorre tanto em quintais quanto em grandes granjas produtoras de ovos. Mesmo que uma ave sobreviva à doença, ela permanece como uma fonte permanente de infecção — não há cura completa.
Causas e métodos de infecção
A doença afeta não só aves, mas também mamíferos. Os animais, especialmente os roedores, podem disseminar o microrganismo no ambiente, desencadeando uma epidemia. A doença afeta mais frequentemente frangos de corte com um mês de idade, frangas poedeiras de 2 a 3 meses e galinhas poedeiras em fase reprodutiva (4 a 5 meses).
A instabilidade da temperatura e a alta umidade contribuem para surtos de doenças. O período de incubação é determinado pela agressividade do microrganismo e pode durar de meio dia a 3-5 dias.
As galinhas podem ser infectadas:
- Através do trato respiratório, devido ao contato com uma ave doente, os cadáveres são especialmente perigosos;
- penetração de bacilos através de danos na pele;
- ração ou água contaminadas com pasteurela;
- As picadas de insetos hematófagos são especialmente perigosas, principalmente os carrapatos da família Argasidae e da família Red Chicken.
A Pasteurella pode sobreviver por longos períodos em corpos d'água naturais e solo úmido, mas não gosta de esterco — raramente é encontrada nesses locais. O microrganismo também é extremamente sensível à luz solar direta.
Uma vez dentro do corpo da galinha, as bactérias se multiplicam rapidamente. Após se espalharem pelo ponto de entrada, os bacilos penetram na corrente sanguínea e na linfa. O período de incubação dura vários dias.
Os embriões nos ovos podem ser infectados por patógenos atenuados que não interferem em seu crescimento e desenvolvimento. Ao eclodir, o pintinho torna-se portador da infecção e, em circunstâncias favoráveis, a infecção latente pode desencadear um surto de cólera aviária no galinheiro. Se o ovo estiver infectado com tipos agressivos do bacilo, o embrião morre por volta do 10º dia. Se deixados na incubadora, os embriões mortos podem infectar outros ovos.
Sintomas de cólera em aves
O primeiro sinal a observar é a falta de apetite nas galinhas. Inicialmente, as aves comem menos do que o habitual. Em seguida, seu estado de saúde piora e elas começam a morrer rapidamente, uma após a outra.
Os sintomas da pasteurelose são vagos e dependem da forma da doença, podendo incluir:
- agudo;
- super nítido;
- crônico.
A forma hiperaguda da doença geralmente ocorre no início da sua disseminação e causa a morte súbita da ave. A galinha literalmente morre diante dos seus olhos. Uma ave, aparentemente sem causar qualquer preocupação, de repente, batendo as asas, cai morta.
Para evitar confundir a pasteurelose com outra doença, recomendamos obter mais informações sobre outras doenças das galinhas.aqui.
Na forma aguda
Uma galinha doente fica apática, sentada com a cabeça enfiada debaixo da asa ou jogada para trás. Outros sintomas da forma aguda incluem:
- temperatura corporal elevada – até 43-44 °C;
- Tonalidade azulada do pente e dos brincos;
- falta de apetite;
- penas eriçadas;
- sede constante;
- secreção de muco e espuma pelo bico;
- respiração rouca e ofegante;
- diarreia com sangue.
Com a progressão da doença, a ave enfraquece e pode apresentar convulsões. A galinha morre em 2 a 3 dias.
Na forma crônica
A forma crônica se desenvolve após a fase aguda da doença e está associada a uma cepa patogênica enfraquecida. Na forma crônica, as galinhas apresentam:
- fraqueza geral;
- exaustão progressiva;
- inflamação das meninges;
- Coriza, chiado no peito;
- Inchaço das patas, da crista e da mandíbula;
- inflamação ocular;
- danos nas articulações das asas e das pernas.
A pasteurelose crônica dura meses, a ave fica emaciada, sua produtividade diminui, mas a morte nessa condição raramente ocorre.
Como a doença pode ser diagnosticada?
Sem exames laboratoriais, um diagnóstico definitivo é impossível. Ao notar sintomas característicos da pasteurelose, as aves doentes são imediatamente abatidas. O próximo passo é contatar um veterinário, que coletará amostras e as carcaças das aves mortas e as enviará ao laboratório. Somente após os exames será possível determinar a causa da morte das galinhas.
O diagnóstico de pasteurelose é feito exclusivamente por meio de testes bacteriológicos. É importante diferenciar a pasteurelose da gripe aviária, da salmonelose e da doença de Newcastle. Os achados da necropsia também confirmam a doença. Galinhas mortas apresentam hemorragias no coração e no baço, além de focos de necrose no fígado. Para confirmar o diagnóstico, de quatro a cinco aves são enviadas para necropsia.
O diagnóstico é considerado estabelecido de forma confiável se:
- Uma cultura com propriedades características do patógeno foi isolada do material patológico;
- Dos dois animais (camundongos de laboratório) infectados com o patógeno isolado, pelo menos um morreu.
Métodos de tratamento
A pasteurelose é incurável. Todas as aves infectadas são abatidas. Mesmo que um animal seja curado, ele permanece portador do patógeno e pode infectar aves saudáveis. O controle da doença envolve o abate imediato das aves infectadas e medidas preventivas.
Após o abate de todas as galinhas doentes e o descarte das carcaças, as galinhas saudáveis recebem um tratamento preventivo. Elas recebem antibióticos por uma semana, como:
- Levomicetina – 60-80 mg por kg de peso vivo, 2 a 3 vezes ao dia (adicionado à ração).
- Tetraciclina – 50-60 mg/1 kg.
- Aquaprim – 1,5 ml por litro de água.
Para tratamento preventivo, Spectam B, Floron e outros medicamentos à base de espectinomicina e lincomicina também são adequados.
Para selecionar um medicamento eficaz, são necessários dados laboratoriais. O medicamento mais eficaz é selecionado com base em um antibiograma, que determina a suscetibilidade do patógeno aos medicamentos.
O recinto onde as galinhas doentes estavam foi tratado com Ecocide S ou Monclavit. O ácido lático também é adequado para a desinfecção.
- ✓ A concentração da solução desinfetante deve ser medida com precisão para garantir a eficácia sem prejudicar as aves.
- ✓ A temperatura da solução desinfetante deve ser de pelo menos 20°C para ativar suas propriedades químicas.
Para desinfetar um aviário, utilize:
- Solução de água sanitária clarificada a 5%;
- Solução de monocloreto de iodo a 10%;
- 20% de cal hidratada fresca – as superfícies são caiadas três vezes com um intervalo de uma hora.
A grama do galinheiro é cortada. As galinhas não podem sair para o local por duas semanas — ele precisa ficar exposto à luz solar. Em seguida, o galinheiro é polvilhado com cal viva. Após a aração do solo, todas as áreas úmidas são completamente secas. A vacinação contra pasteurelose é uma medida excepcional para pequenas granjas de frango. Ela é utilizada quando a infecção não pode ser erradicada por outras medidas preventivas.
Prognóstico e prazos de tratamento
A pasteurelose é incurável e o prognóstico para as aves infectadas é ruim. O objetivo do produtor é minimizar as perdas, prevenindo a disseminação da infecção. Somente galinhas clinicamente saudáveis são tratadas. Um ciclo de tratamento preventivo dura pelo menos cinco dias.
As galinhas são contagiosas?
Galinhas infectadas com pasteurelose podem infectar aves saudáveis, por isso é crucial isolar e abater prontamente todas as aves infectadas. Portadoras da infecção — galinhas que sobreviveram à doença — também podem desencadear uma epidemia. Além disso, as galinhas podem infectar outras aves, animais e seres humanos.
Essa doença é perigosa para os seres humanos?
A pasteurelose é perigosa não só para as galinhas, mas também para os seus criadores. A doença é transmitida das aves para os humanos por contacto direto. As bactérias patogénicas são transmitidas através de feridas e microfissuras. Surgem furúnculos na pele das pessoas infetadas.
A infecção não penetra nas membranas mucosas. A transmissão por via aérea é rara. No entanto, se ocorrer, a pessoa desenvolve inflamação das meninges e dos ouvidos, podendo evoluir para osteomielite.
Precauções:
- Só entre num aviário infetado usando roupa e luvas especiais;
- Manter a higiene pessoal.
Ao primeiro sinal de sintomas alarmantes, você deve entrar em contato com um clínico geral ou um especialista em doenças infecciosas.
Outros animais podem ser infectados?
A pasteurelose é perigosa não apenas para galinhas, mas também para outras aves, como gansos, patos, perus e codornas. Ela também afeta animais de fazenda, como porcos, vacas, cabras e outros. Ocorre ainda em gatos e cachorros. Qualquer animal pode ser infectado por contato direto, ao beber água, ao se alimentar, por mordidas e arranhões. A fonte de infecção são animais doentes e portadores da bactéria. Estes incluem camundongos, ratos e porquinhos-da-índia, que podem viver por anos e disseminar a bactéria.
É possível consumir carne de aves que tiveram pasteurelose?
A carne de frangos abatidos devido à pasteurelose é segura para consumo. Os avicultores visam o lucro. Se todas as aves abatidas devido a um surto da doença tivessem que ser descartadas, sofreriam perdas colossais. Felizmente para os avicultores, a carne de frangos infectados com pasteurelose é segura para consumo após o tratamento térmico. No entanto, especialistas em controle de pragas têm uma opinião diferente sobre o assunto: eles acreditam que todos os frangos infectados, vivos ou abatidos, devem ser destruídos.
Prevenção
Medidas preventivas para a pasteurelose:
- conformidade com as normas de saneamento e higiene;
- Identificação e neutralização oportunas dos portadores da infecção;
- Nutrição adequada – suplementos vitamínicos estão incluídos na dieta;
- roçar e arar pastos cobertos de vegetação;
- vacinação.
- ✓ Trocar a roupa de cama regularmente e ventilar o quarto reduz o risco de doenças.
- ✓ O monitoramento da qualidade da água e da ração elimina uma das principais vias de infecção.
As galinhas são vacinadas com vacinas vivas ou inativadas. As vacinas vivas têm um efeito residual, que pode levar a complicações. Portanto, as galinhas geralmente são vacinadas com vacinas inativadas.
As vacinas não são usadas para tratamento. Apenas galinhas clinicamente saudáveis são vacinadas. A idade mínima para vacinação é de 1 mês. As galinhas vacinadas mantêm a imunidade por 6 a 8 meses, após os quais é necessária uma dose de reforço.
Em caso de surto de pasteurelose em uma fazenda, as vacinas inativadas são combinadas com terapia antibacteriana. A vacinação pode ser administrada antes, depois ou simultaneamente a um ciclo de 5 dias de terapia antibacteriana.
A pasteurelose é um verdadeiro desastre para qualquer galinheiro. É muito mais fácil prevenir a doença do que lidar com suas consequências. Se as galinhas contraírem cólera aviária, o plantel inevitavelmente definha. É importante detectar um surto de pasteurelose precocemente para que medidas preventivas possam ser tomadas.

