Hoje gostaria de abordar o tema da vida moderna na aldeia e mostrar o porão da casa dos meus pais.
A população da nossa aldeia era de cerca de 1.000 pessoas durante uns 30 a 35 anos. Todos os adultos trabalhavam e as crianças frequentavam a escola e o jardim de infância. O que quero dizer é que a vida de todas as famílias era muito semelhante. A renda era modesta, mas conseguiam sobreviver de forma razoável graças às suas hortas e plantações.
Os meses de verão foram especialmente difíceis — além do trabalho de colheita na fazenda estatal, começou a época de fazer conservas de inverno em casa. E fizemos muita coisa! Para nossa família de três pessoas, enlatamos até 100 potes de compota, 30 a 40 potes de pepino e tomate, além de saladas, geleia, banha, carne…
Toda essa riqueza estava armazenada no porão. Não havia como fugir disso! Toda a colheita de frutas e verduras frescas também era guardada lá, assim como os presuntos e os potes de chucrute.
A vida hoje é diferente — preguiçosa. Quase todas as casas estão abandonadas; os jovens partem para as cidades depois da escola, tentando nunca mais voltar para a aldeia. Não querem trabalhar a terra. Tudo está à venda agora, então nem sequer constroem porões nas casas novas, e as antigas já caíram em desuso há muito tempo.
Meus pais ainda são jovens, pouco mais de 50 anos. Eles moram sozinhos, mas não diminuem o ritmo e o volume de trabalho na aldeia. Ou se acostumaram, ou entendem que não poderão comprar tudo — não há trabalho, e a aposentadoria ainda está longe. Nós também preferimos ir ajudar, mas compramos a maior parte dos nossos mantimentos na aldeia, não no supermercado.
Então, há sete anos, eles construíram um porão novo, espaçoso e prático sob a cozinha de verão. Ele tem 2,3 metros de profundidade e 3 metros por 3 metros. As paredes são sustentadas por uma camada de concreto, o piso é de terra batida e o teto é de lajes de concreto.
A entrada do porão é composta por 10 degraus. Ao longo de um dos lados desse corredor, estão armazenados diversos itens, tanto necessários quanto desnecessários.
Abaixo da soleira, há um segundo conjunto de portas duplas de madeira. A foto mostra a vista interna delas. Durante os meses mais quentes, deixamos as portas abertas, mas cobrimos a abertura com uma tela metálica de malha fina para impedir a entrada de ratos.
E para além dessas portas jazem riquezas incalculáveis. É verdade que ainda não todas, pois lá fora é verão.
Aqui fica um cantinho para batatas. O chão aqui é coberto com tábuas.
Armazenamos aqui todas as batatas desenterradas e também colocamos caixas de batatas-semente por perto. Enquanto isso, as batatas aguardam sua vez de serem armazenadas para o inverno.
Tranças de alho e cebola serão penduradas lá dentro.
Todos os anos, no início do verão, inspecionamos e limpamos o porão: revisamos os potes de conservas e removemos quaisquer frutas e verduras restantes para alimentar o gado. Após a limpeza, queimamos as paredes com maçarico e as caiamos com cal hidratada. Inspecionamos o chão em busca de roedores — nenhum foi encontrado até hoje. Essas medidas ajudam a proteger a colheita de fungos e outras doenças, bem como de pragas.
Não conseguimos imaginar a vida da nossa família sem um porão. Seja na época soviética ou nas aldeias de hoje, ele é essencial e nos alimenta o ano todo. O mais interessante é que muitos na aldeia consideram ter um porão um sinal de riqueza. Mas eu considero a sua ausência um sinal de preguiça.
Construa adegas! Armazene seus produtos naturais nelas em vez de comprar alimentos industrializados e industrializados em supermercados.







Observei os preparativos - estavam deliciosos de lamber os dedos!
Tínhamos uma dacha nos arredores da cidade (durante meus anos de escola, no início dos anos 2000). Tínhamos uma colheita farta e fazíamos conservas. Mas armazenávamos tudo na cidade, no nosso apartamento. Morávamos no térreo e nossa varanda tinha um porão. E guardávamos tudo embaixo da varanda. Mas agora, como o autor bem observou, todo mundo ficou preguiçoso, já que dá para comprar tudo facilmente no mercado. Então a dacha foi vendida. (Sinto falta da terra.)
Uma adega é indispensável no campo. Embora comprar congeladores e armazenar tudo lá esteja na moda, o congelamento ainda não substitui tomates em conserva, pepinos, compotas, geleias ou batatas feitas em casa!